Juan Arias e Eduardo Severo Moraes erguendo os troféus de primeiro lugar, com os demais troféus e medalhas à frente

Um peixe. Mais de 21 quilos de troféus. Um recorde brasileiro.

O primeiro recorde homologado pelo RankBrasil em competição de pesqueiro nasceu num domingo de chuva em Montenegro, no Rio Grande do Sul.

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A história completa, contada no Campeões da Pesca

Tem história que só fica boa contada por quem viveu. No episódio 011 do podcast Campeões da Pesca, Juan e Eduardo contam tudo, com as risadas e os detalhes que não cabem num texto.

Episódio 011 do podcast Campeões da Pesca.

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O prêmio pesou mais que o peixe

Uma única carpa-cabeçuda rendeu quatro premiações oficiais. Cada uma veio com um troféu e uma medalha para cada pescador da dupla.

O peixe 17,760kg
Troféus e medalhas 21,59kg

Peso do peixe na balança oficial da competição, em 10 de novembro de 2019. Peso dos troféus e medalhas dos dois pescadores, somados.

Do riso ao recorde

  1. 2 de dezembro de 2017

    A vara rosa

    Na primeira edição do Campeonato Brasileiro em Pesqueiros, Juan competia em dupla com a esposa, Débora. Faltavam poucos minutos para a prova quando a vara dele quebrou. A única reserva era a dela: pequena, delicada, cor-de-rosa, com molinete rosa. Não havia outra saída.

    Imagine a cena: um campeonato brasileiro, câmeras de TV, transmissão ao vivo para o país inteiro, e um adulto entrando no lago com um kit cor-de-rosa brilhando no sol. Os competidores olharam. O público olhou. Até a narração entrou na brincadeira. Antes da primeira fisgada, já tinha riso em volta.

    Trechos da transmissão ao vivo da Fish TV, CBP 2017. Imagens: Fish TV.

    Juan pescou o dia inteiro com aquela vara. O casal voltou para casa com uma única tilápia, entre os últimos colocados.

    Doeu. Mas foi ali que a piada virou combustível: estudar o peixe, o clima, a leitura da água, e voltar na edição seguinte para virar a história.

  2. Na edição seguinte, 10 de novembro de 2019

    A virada

    A boia baixou uma vez. O dia inteiro, uma vez só.

    Era o Campeonato Gaúcho em Pesqueiros, em Montenegro, e chovia. Ventava, fazia frio, a pressão atmosférica tinha despencado. Sessenta duplas se espalhavam pelas margens do lago, e quase todas passavam as horas do mesmo jeito: olhando para uma boia parada.

  3. No meio da prova

    O maior peixe da vida

    Até então, o maior peixe da vida de Juan pesava cinco quilos. O que estava na ponta da linha tinha mais de três vezes isso. A vara envergou até quase tocar a água, e o molinete, leve demais para aquele peso, cedia linha sem parar.

    “Na hora eu entrei em pânico e quis puxar”, conta Juan. “Aí veio a reflexão: calma, tu já ensaiou isso. Segue o que tu treinou.”

    O treino tinha sido mental. Nas semanas anteriores, sem fisgar nada nos treinos de verdade, ele repassou a cena na cabeça dezenas de vezes, inclusive o detalhe que decidiria tudo: a boca da carpa-cabeçuda é frágil, e puxar com o peixe na superfície rasga o lábio e devolve o animal ao lago. Ele afrouxou o freio e foi trazendo o peixe devagar.

    O Eduardo chegou com o passaguá, e o peixe não coube. Teve de ser puxado para dentro da rede pela cabeça. Na balança oficial, diante dos juízes: 17,760 kg. Foi o único peixe da dupla no dia inteiro.

  4. Antes do pódio

    Troféu atrás de troféu

    “A gente achava que ia ganhar dois troféus, um de 1º lugar e outro de maior peixe”, conta Juan. “O do maior peixe, que era o que eu queria, quando fomos ver, era menor (risos). O de primeiro lugar era o grandão. Então eu ia ficar com o pequeno e...”

    Mas isso durou pouco.

    “Aí começou a entrega. Troféu para mim, troféu para ele. Medalha, medalha. E aí veio mais. E mais.”

    Um único peixe decidiu:

    • 1º lugar da Etapa 2
    • Maior peixe da Etapa 2
    • Maior peixe do Campeonato Gaúcho
    • Vice-campeonato gaúcho
  5. 24 de setembro de 2026

    Recorde brasileiro

    O campeonato acabou, os troféus foram para a estante, e boa parte do registro digital daquela edição se perdeu na internet com o tempo. A história só sobreviveu porque os dois amigos, sem combinar, guardaram pedaços dela: um arquivou páginas e classificações, o outro deixou a TV gravando a transmissão.

    Quase sete anos depois, com esse arquivo, o RankBrasil, o Livro dos Recordes Brasileiros, analisou a transmissão, os placares, a pesagem e as premiações, e homologou o feito. Segundo a própria entidade, é o primeiro recorde da sua história nascido dentro de uma competição de pesqueiro.

“Dizem que pescaria é questão de sorte. Isso depende. Porque se tu não estiver preparado, tu não vai ter sorte.”

Juan Arias
Juan e Eduardo de costas um para o outro, atrás dos troféus e medalhas da conquista
Recorde homologado: 4 premiações oficiais. Para cada pescador, 4 troféus e 4 medalhas.

Quatro premiações, uma captura

Na pesca em pesqueiros, o resultado costuma ser a soma de vários peixes ao longo do dia. Aqui, tudo veio de um só.

  • 1º lugar da Etapa 2Troféu e medalha para cada pescador
  • Maior peixe da Etapa 2Troféu e medalha para cada pescador
  • Maior peixe do Campeonato GaúchoSomadas as duas etapas
  • Vice-campeonato gaúchoCom vaga na final nacional

Placar oficial da Etapa 2

1ºJuan Arias e Negão17,760 kg
2ºSegunda dupla colocada13,280 kg
3ºTerceira dupla colocada12,980 kg

Das 120 duplas que disputaram o Campeonato Gaúcho, 119 terminaram atrás de um único peixe.

Placa oficial do RankBrasil com a medalha de recorde homologado e os nomes de Juan Arias e Eduardo Severo Moraes

Homologado pelo RankBrasil

Desde 1999, o RankBrasil reconhece recordes brasileiros a partir de análise técnica da documentação de cada feito. Este é o título gravado na placa:

Dupla com Mais Premiações por uma Única Captura em Pesca Esportiva

Ver a publicação oficial do RankBrasil

Esse recorde tem muitas mãos

Ao RankBrasil, pelo reconhecimento oficial. Ao Campeonato Brasileiro em Pesqueiros, onde tudo aconteceu, e à Fish TV, que transmitiu e registrou aquele dia e tornou a homologação possível. Ao Campeões da Pesca, o primeiro a sentar com a gente e ouvir essa história com calma. E à Débora, dona da vara rosa.

“O insucesso só depende da tua desistência. Então, não desistam. Se esse recorde motivar outras pessoas a pescar e a bater outros recordes, tudo isso já valeu a pena.”

Juan Arias, no Campeões da Pesca
Eduardo e Juan agachados, com os números 082 no peito, diante dos troféus

A dupla 082

Juan Arias e Eduardo Severo Moraes, o Negão, são parceiros de pesca. Nenhum dos dois tinha subido num pódio antes daquele domingo.

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